O minimalismo: do projeto ao essencialismo

Por WBK Comunicação

O minimalismo e o essencialismo tem se popularizado como estilos de vida baseado no autoconhecimento, leveza, guarda roupas cápsula e pouco consumo, mostrando que o indivíduo pode concentrar seus esforços apenas ao que importa em sua vivência.

Apesar de muito parecidos, os dois movimentos são diferentes e possuem características individuais.

O minimalismo é um movimento que influenciou a arquitetura e o design, com grandes projetistas, obras e elementos que identificam o estilo.

Em tempos de pandemia, o morar foi ressignificado, passamos a olhar mais para dentro, percebemos mais o que era útil e sentimos falta do que realmente era necessário, ações que são parte do ideal do essencialismo.

Surgimento do minimalismo

Antes de tudo vamos falar sobre esse estilo que é inspirado na arquitetura tradicional japonesa e no movimento De Stijl, dos anos 20, que utiliza linhas retas, elementos e formas simples.

Movimento De Stijl

No Japão, o minimalismo já fazia parte da cultura e começou a se destacar na década de 80, devido ao rápido crescimento populacional urbano, o avanço tecnológico e as frequentes catástrofes naturais que, em questão de segundos, demoliam qualquer estrutura.

Além disso, independentemente do local, essa tendência limpa, leve e sem excessos é considerada por muitos como uma resposta à complexa e sobrecarregada vida urbana e sua sociedade consumista.

Quais elementos compõem o minimalismo?

Quando se fala em projetos, ele pode ser minimalista quando marcado por formas simples e poucos elementos. As principais características são:

  • Cores neutras e suaves
  • Leveza, simplicidade e funcionalismo
  • Estruturas limpas e poucas formas geométricas em um mesmo projeto.
  • Inovação no uso de materiais como cimento, vidro, tijolos e madeira.
  • Valorização da iluminação natural.
Ambiente minimalista

Entenda o que não é minimalismo

É importante esclarecer que, nem sempre o termo “minimalismo” é usado adequadamente.

Adotar o minimalismo como estilo de vida, decoração ou arquitetura não significa se livrar de todos os objetos à sua volta ou escolher apenas itens mais simples para compor um ambiente.

A verdade é que não existe uma regra para o minimalismo — o princípio que rege este estilo é possuir ou ser rodeado apenas por itens que o deixam feliz e têm papel essencial para um estilo de vida ideal.

Quando entramos na questão do essencialismo, podemos questionar cada ambiente e trazer à mente o que realmente se torna essencial na individualidade de cada pessoa, onde um mundo de possibilidades, erros e acertos podem se tornar um desafio, quando não existe comunicação. 

Casas essenciais em transformação

A pandemia transformou todo o nosso mundo. Nosso jeito de consumir, produzir e se comunicar. Sejam ambientes residenciais ou comerciais. A nova cultura do morar e do trabalhar, transformaram a forma de aplicar certos conceitos determinados pela história da arte, da arquitetura, do design, inclusive o minimalismo. 

O ambiente e vida que antes era minimalista, podem ter passado por transformações e necessidades que fizeram agregar novos móveis, práticas para um conceito adaptado ao essencial. O conciliar de algumas atividades, que antes não eram previstas em um cômodo. O abandono de determinada rotina por limitações e regras agora impostas, criaram novos hábitos ou apenas transformações passageiras?

As transformações nem sempre serão inimigas. Existem tantas que trazem reflexões, melhorias e inclusive aperfeiçoam o ato de morar e projetar.

O encontro com o equilíbrio

Apesar da grande onda de transformações serem constantes, é preciso olhar para si e questionar o real motivo de tais mudanças.

Quando existe a revelação e compreensão dos reais motivos de aplicar ou assumir tal estilo, facilmente o processo de transição será sutil e nada agressivo.

Quando se fala em pandemia, a necessidade momentânea pode alterar projetos e hábitos que, certamente, voltarão à sua normalidade quando tudo acabar.  Ou não, a exemplo de morar perto do trabalho, manter o home office, cozinhar todos os dias com os filhos, criar uma horta dentro de casa, adicionar mais detalhes e conforto a um cômodo antes não utilizado.

É importante encontrar o equilíbrio do que é influência momentânea e o que é transformação de hábito.

O atendimento humanizado e o briefing detalhado nunca foi tão essencial para determinar necessidades passageiras e transformações de hábitos que verdadeiramente impactaram as pessoas.

O essencialismo pode ter sido um grande aprendizado para muitos e certamente continuará influenciando pessoas, projetos e ambientes.

Essencialismo ao minimalismo