{"id":5483,"date":"2022-11-16T14:02:35","date_gmt":"2022-11-16T17:02:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/?p=5483"},"modified":"2022-11-16T14:02:36","modified_gmt":"2022-11-16T17:02:36","slug":"desconstruindo-a-arquitetura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/desconstruindo-a-arquitetura\/","title":{"rendered":"Desconstruindo a arquitetura"},"content":{"rendered":"\r\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O doutor em arquitetura e urbanismo,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/silvio-sant-anna-41769427\/?originalSubdomain=br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Silvio Stefanini Sant\u2019Anna<\/a>, defende em suas teorias a arquitetura desconstrutivista e ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, a arquitetura desconstrutivista n\u00e3o \u00e9 um estilo de arquitetura propriamente dito, mas sim uma vertente de pensamentos, como uma provoca\u00e7\u00e3o, proveniente de um movimento da p\u00f3s-modernidade que surgiu dentro da filosofia pelo fil\u00f3sofo franc\u00eas Jacques Derrida. Sem um conjunto de regras pr\u00e9-estabelecidas, projetos que seguem esse formato vieram de encontro ao que era a constru\u00e7\u00e3o da realidade na modernidade, estabelecido diante de pensamentos impostos e unificados, como explica Silvio: \u201cNa p\u00f3s-modernidade a sobreposi\u00e7\u00e3o das realidades s\u00e3o constantes. O desconstrutivismo significa a cria\u00e7\u00e3o do novo pensamento atrav\u00e9s da desconstru\u00e7\u00e3o da realidade anteriormente formulada, o que sempre gera probabilidades de novos conhecimentos, isso feito sem perder a origem do pensamento.\u201d Nesse sentido, ele afirma que na \u201carquitetura a apropria\u00e7\u00e3o desse pensamento tem reflexo direto na forma de propor e conceber novas edifica\u00e7\u00f5es e sistemas de vivenciar \u2018o espa\u00e7o arquitet\u00f4nico e urbano.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.connectarch.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Zaha-Hadidi_BEEAH-HQ_Sharjah_UAE_%C2%A9HuftonCrow-1024x556.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3962\"\/><figcaption>Zaha Hadidi<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Identificar constru\u00e7\u00f5es que se enquadram no conceito desconstrutivista n\u00e3o \u00e9 tarefa das mais dif\u00edceis, pois nelas n\u00e3o h\u00e1 um padr\u00e3o est\u00e9tico ou mesmo uma identifica\u00e7\u00e3o com estilos j\u00e1 conhecidos como o neoclassicismo ou o modernismo. Talvez seja at\u00e9 ao contr\u00e1rio. Em suma: quando n\u00e3o h\u00e1 qualquer identifica\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, projetos que rompem com as normas geom\u00e9tricas da arquitetura e, nas palavras de Silvio, \u201ca vis\u00e3o distorcida do espa\u00e7o ortogonal, como se houvesse uma desloca\u00e7\u00e3o do sujeito em rela\u00e7\u00e3o ao objeto observado, ou seja, a possibilidade de olhar o espa\u00e7o de formas diferentes gerando uma atemporalidade\u201d, tem-se a\u00ed o desconstrutivismo. Importante mencionar que, enquanto obras emblem\u00e1ticas e atemporais que s\u00e3o, os projetos que seguem o desconstrutivismo t\u00eam assinaturas de arquitetos que podem ser considerados artistas, at\u00e9 por que a arquitetura \u00e9, tamb\u00e9m, uma forma de arte. \u201cA princ\u00edpio todo arquiteto possui uma alma de artista. Apesar de estar atuando dentro de um contexto t\u00e9cnico, o prop\u00f3sito de sensibilizar sempre deve estar presente na obra arquitet\u00f4nica. Mas, arquitetura se difere da arte por estabelecer com clareza as evid\u00eancias de um prop\u00f3sito mesmo que aparentemente n\u00e3o seja reconhecido pelo observador como no desconstrutivismo\u201d, pontua o professor doutor assistente da Universidade Presbiteriana Mackenzie onde faz parte do Colegiado do Curso de Arquitetura e Urbanismo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.connectarch.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Frank-Gehry_Casa-Dancante_foto-de-Lenka-Sevcikova-por-Pixabay-1024x892.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3959\"\/><figcaption>Frank Gehry \u2013 Casa Dan\u00e7ante<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quebra de paradigmas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desconstrutivismo, quando surgiu, fez as pessoas perceberem que era poss\u00edvel quebrar as barreiras geom\u00e9tricas consensuais da arquitetura e, assim, surgiram algumas obras ic\u00f4nicas por renomados profissionais mundo afora, entre os quais<a href=\"http:\/\/www.zaha-hadid.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;Zaha Hadid<\/a>, Frank Gehry,&nbsp;<a href=\"https:\/\/eisenmanarchitects.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Peter Eisenman<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/libeskind.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Daniel Libeskind<\/a>. Mas, fa\u00e7amos aqui uma breve pausa para a hist\u00f3ria. O desconstrutivismo tem inspira\u00e7\u00f5es no construtivismo russo de 1920 que j\u00e1 pregava assimetria em projetos arquitet\u00f4nicos nos quais a estabilidade das formas, a ordem e a harmonia geom\u00e9trica dos tra\u00e7os est\u00e3o fora de cogita\u00e7\u00e3o. E isso nos leva de volta \u00e0 quebra de paradigmas, pois o desconstrutivismo vai al\u00e9m de suas linhas irregulares, concorda Stefanini. \u201cOutra caracter\u00edstica marcante \u00e9 a capacidade informativa gerada pelo ilusionismo e abstra\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o proposto realizado atrav\u00e9s de desafios tecnol\u00f3gicos de concep\u00e7\u00e3o (recursos infogr\u00e1ficos) e realiza\u00e7\u00e3o, desempenhando seu papel evolutivo na sociedade. Olhando pela perspectiva formal, a fragmenta\u00e7\u00e3o, as distor\u00e7\u00f5es, as quebras e as rupturas da composi\u00e7\u00e3o s\u00e3o elementos caracter\u00edsticos dessa arquitetura, no entanto, sempre ser\u00e1 importante o conceito por tr\u00e1s do desenho formal\u201d, esclarece o professor, ao mesmo tempo que pondera sobre \u2018funcionalidade\u2019, quando aplicado a esse tipo de constru\u00e7\u00e3o. \u201cEm projetos muito funcionalistas como hospitais e \u00e1reas da sa\u00fade, por exemplo, al\u00e9m de outras, \u00e9 claro, esse tipo de cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria adequado. S\u00e3o propostas melhores adaptadas \u00e0s arquiteturas de exce\u00e7\u00e3o, como museus, galerias e obras que criam um marco simb\u00f3lico no tempo e no espa\u00e7o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.connectarch.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Zaha-Hadid_Argos_Graz_HuftonCrow-936x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3955\"\/><figcaption>Zaha Hadid_Argos_Graz<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Terras do Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda n\u00e3o h\u00e1 no Brasil obras de grandes express\u00f5es desconstrutivistas, mas, se vale uma interse\u00e7\u00e3o, segundo Silvio, \u201co showroom da Ferrari e Maserati na Avenida Brasil, em S\u00e3o Paulo, do arquiteto Jos\u00e9 Wagner Garcia chama aten\u00e7\u00e3o pelas formas arrojadas.\u201d De qualquer modo, o jovem pa\u00eds chamado Brasil tem mentes promissoras, como bem se sabe e, como lembra o professor: \u201cas rupturas sempre tiveram espa\u00e7o nas indaga\u00e7\u00f5es e questionamentos que estruturam nossa sociedade. Na velocidade das transforma\u00e7\u00f5es nos dias de hoje, o surgimento de efemeridades \u00e9 constante. A desconstru\u00e7\u00e3o foi uma forma de entender a abissal necessidade de discutir as mudan\u00e7as sociais. Com certeza, existir\u00e3o outras.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.connectarch.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/shutterstock_1886489788-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3954\"\/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desconstrutivismo ganhou destaque a partir dos anos 1980 e, seus tra\u00e7os, s\u00e3o os mais intrigantes e ousados dentro da arquitetura<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":5484,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[58,1046,146,31,1047,398,674],"class_list":["post-5483","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","tag-arquitetura","tag-desconstrucao-arquitetura","tag-design","tag-inovacao","tag-pos-modernidade","tag-revestimentos","tag-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5483"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5485,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5483\/revisions\/5485"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}