{"id":4565,"date":"2021-08-19T15:09:02","date_gmt":"2021-08-19T18:09:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/?p=4565"},"modified":"2022-12-29T09:04:59","modified_gmt":"2022-12-29T12:04:59","slug":"mural-de-jackson-pollock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/mural-de-jackson-pollock\/","title":{"rendered":"Mural de Jackson Pollock"},"content":{"rendered":"\r\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com as considera\u00e7\u00f5es da art advisor Georgia Lobacheff, entraremos, ainda que de forma sucinta, neste conto que bem poderia figurar em um filme como \u201cContos de Nova York\u201d, dirigido pela ilustre tr\u00edade composta por Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O come\u00e7o de tudo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ano era 1943 e<a href=\"https:\/\/www.jackson-pollock.org\/\">&nbsp;Jackson Pollock<\/a>&nbsp;vivia dias dif\u00edceis com sua esposa, a pintora Lee Krasner, em um pequeno apartamento em Nova York.&nbsp; Naquele ver\u00e3o, o casal vivia um aperto financeiro, ap\u00f3s Pollock ter tido sua sa\u00fade bastante debilitada nos idos de 1937, quando iniciou um tratamento psiqui\u00e1trico para alcoolismo e um colapso nervoso que o levou a uma interna\u00e7\u00e3o por cerca de quatro meses. Pollock teve a chance de um novo come\u00e7o com um pedido peculiar.&nbsp; A ent\u00e3o colecionadora Peggy Guggenheim, solicitou, ao ainda desconhecido artista, que criasse uma obra para o lobby de seu apartamento em Manhattan. Sua \u00fanica exig\u00eancia era que a arte cobrisse toda uma parede, mas ele tinha total liberdade para criar. Com um contrato de sal\u00e1rio de $150,00 por m\u00eas \u2013 algo at\u00e9 ent\u00e3o incomum \u2013 Pollock aceitou imediatamente o convite e, por orienta\u00e7\u00e3o do amigo e conselheiro, e tamb\u00e9m artista, Marcel Duchamp \u00e0 pr\u00f3pria Peggy, a obra deveria ser criada em uma tela e n\u00e3o na parede como a amiga propusera, para que assim ela pudesse ser retirada e alocada em outros lugares, caso houvesse interesse. \u201cUma vez que existisse o afresco (obra na parede), ali permaneceria para sempre, mas que bom que a dica de Duchamp, al\u00e9m de muito boa, foi ouvida\u201d, comemora a art advisor Georgia Lobacheff. Nas semanas que se seguiram, a falta de inspira\u00e7\u00e3o de Pollock manteve a enorme tela de 242,9\u00d7603,9cm em um lindo e alvo branco<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Nasce \u201cMural\u201d<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob press\u00e3o e com a amea\u00e7a de ter seus rendimentos cortados, h\u00e1 quem diga que Pollock pintou \u201cMural\u201d em uma noite apenas. Fato \u00e9 que um restauro mostrou que h\u00e1 v\u00e1rias camadas em que Pollock usou mais de vinte cores que demoraram semanas para secar. Seria uma evid\u00eancia de que tenha sido pintada de uma \u00fanica vez? E, assim, nasce \u201cMural, uma obra que fica entre a abstra\u00e7\u00e3o e a figura\u00e7\u00e3o\u201d, conta a art advisor. \u201c\u00c9 poss\u00edvel identificar rostos, figuras nela, mesmo suas obras sendo reconhecidas como parte de um estilo chamado de expressionismo abstrato. Abstra\u00e7\u00e3o por ser uma pintura n\u00e3o figurativa propriamente dita, mas com express\u00e3o, que \u00e9 tudo o que Pollack fazia. A grande novidade da obra de Pollock era pintar com o corpo. Essa t\u00e9cnica de \u2018dripping\u2019 (gotejamento), inovadora para a \u00e9poca, tem a ver com express\u00e3o. Tem a ver com a a\u00e7\u00e3o em si de express\u00e3o do corpo dele, a a\u00e7\u00e3o de pintar com a for\u00e7a do corpo. \u201cEnquanto outros artistas da mesma \u00e9poca estavam inclinados \u00e0 abstra\u00e7\u00e3o, Pollock estava focado na express\u00e3o dentro da abstra\u00e7\u00e3o\u201d, explica Ge\u00f3rgia. Vale destacar que, inventada pelo surrealista Max Ernst, a t\u00e9cnica de dripping foi adotada por Pollock que dispunha de grandes telas no ch\u00e3o do ateli\u00ea e usava o corpo como instrumento para suas abstra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.connectarch.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mural-pollock.png2_-1-1024x409.jpg\" alt=\"jackson pollock\" class=\"wp-image-1105\"\/><figcaption>Fonte: Site de Jackson Pollock<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>De volta para casa<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Partindo de S\u00e3o Paulo, 7.681 mil quil\u00f4metros nos separam de \u201cMural\u201d. Mas, isso \u00e9 apenas um detalhe quando se calcula as viagens que j\u00e1 fez: Bilbao, Londres, Boston e Sioux City, e quando se pensa em toda sua hist\u00f3ria e na import\u00e2ncia de ter voltado \u2018pra casa\u201d, em Nova York. Ap\u00f3s sua conclus\u00e3o, no mesmo ano em que foi solicitada, \u201cMural\u201d ficou exposta por muitos anos no apartamento de sua patrocinadora. Ao fim da Segunda Guerra mundial, Peggy volta a morar na Europa onde n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para uma tela com as dimens\u00f5es de \u201cMural\u201d. Ap\u00f3s muitas negocia\u00e7\u00f5es, decide, em 1951, doar o trabalho para a Escola de Arte e Hist\u00f3ria da Arte da Universidade de Iowa onde permaneceu at\u00e9 2020. Em seu novo lar em Nova York, no museu Solomon R. Guggenheim, hom\u00f4nimo ao tio de Peggy e fundador do museu de quem ela herdou o fino gosto pelas artes, a obra de Pollock se une a outras do artista no museu como Ocean Greyness (1953), Number 18 (1950), Alchemy (1947).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTemos a arte para n\u00e3o morrer da verdade.\u201d Com essa frase do fil\u00f3sofo Friedrich Nietzsche (1844-1900) o Connectarch traz ao seu leitor um pouco sobre a curiosa \u2013 e deliciosa \u2013 hist\u00f3ria da obra-prima \u201cMural\u201d de Jackson Pollock. <\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[618,1],"tags":[56,866,642,540,820,248],"class_list":["post-4565","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-inspiracoes","category-sem-categoria","tag-arte","tag-ate","tag-connectarch","tag-decortiles","tag-dt2021","tag-inspiracao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4565","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4565"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4565\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5615,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4565\/revisions\/5615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}