{"id":4477,"date":"2021-06-02T17:11:56","date_gmt":"2021-06-02T20:11:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/?p=4477"},"modified":"2022-12-29T09:57:16","modified_gmt":"2022-12-29T12:57:16","slug":"o-tema-e-tendencia-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/o-tema-e-tendencia-agora\/","title":{"rendered":"O tema \u00e9 Tend\u00eancia agora"},"content":{"rendered":"\r\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que s\u00e3o tend\u00eancias? Com que base elas s\u00e3o pensadas? Quem diz o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 tend\u00eancia? A quem elas atingem? As utilizamos por conta pr\u00f3pria ou somos induzidos? Com base nesses questionamentos, os especialistas Allex Colontonio, jornalista, escritor e publisher da revista POP-SE, Lili Tedde, diretora da Edelkoort South e Beto Guimar\u00e3es, fot\u00f3grafo, arquiteto, professor e criador do Mostra\u00ed (uma plataforma de cursos online), se dispuseram a tentar desvendar o assunto que, nesse contexto, se direcionou ao segmento arquitetura, casa e decora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A verdade sobre as tend\u00eancias: elas existem mesmo? quem dita?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parafraseando Her\u00f3doto* (485 a.C e 425 a.C) quando diz \u201colhar para o passado, nos ajuda a entender o futuro\u201d, o arquiteto que tamb\u00e9m \u00e9 professor e fot\u00f3grafo, Beto Guimar\u00e3es, acredita que uma parte da sociedade tem a sensibilidade em perceber, por meio de a\u00e7\u00f5es comportamentais, os rumos e as mudan\u00e7as que est\u00e3o prestes a acontecer. \u201cAlgumas pessoas t\u00eam essa percep\u00e7\u00e3o. \u00c9 conseguir perceber o que vem por a\u00ed, enxergando o entorno e toda a revolu\u00e7\u00e3o comportamental.\u201d Beto explica que movimentos adversos e os pr\u00f3prios transgressores ditam mudan\u00e7as, pois \u201cvivem mais a parte de \u2018vontade pr\u00f3pria\u2019 e os demais v\u00e3o seguir por falta de op\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os acomodados que v\u00e3o entrar na onda porque n\u00e3o t\u00eam escolha. Trata-se da evolu\u00e7\u00e3o cultural da sociedade como um todo, relacionando o contexto local e global, na qual a condu\u00e7\u00e3o de massas provoca o efeito manada por querer participar do grupo. Desse modo, transgressores fazem prevalecer sua vontade diante do contexto. Tudo isso pauta aspectos comportamentais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lili Tedde, na mesma dire\u00e7\u00e3o, pontua que a sociedade dita os passos para definir o que \u00e9\/ser\u00e1 tend\u00eancia. \u201c\u00c9 analisarmos o caminhar da sociedade e sermos capazes de fazer analogias do que acontece no mundo com as necessidades. Entender o porqu\u00ea de o ser humano se comportar de certa forma, ou buscar outro caminho gerando uma mudan\u00e7a de h\u00e1bitos. Muitas vezes povos distantes t\u00eam o mesmo tipo de comportamento, de mudan\u00e7a. Podemos analisar, por exemplo, uma crescente em um homem mais sens\u00edvel e presente na cria\u00e7\u00e3o dos filhos. Crian\u00e7as mais maduras, av\u00f3s mais infantilizados, mulheres mais guerreiras ocupando postos de trabalhos importantes. Vemos os h\u00edbridos mais assumidos. Tudo isso faz parte de uma emancipa\u00e7\u00e3o em que um coletivo tem buscado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na contram\u00e3o do uso da palavra, o jornalista Allex Colontonio, prefere \u201cnarrativas\u201d, mas n\u00e3o se afasta das opini\u00f5es. \u201cComo profissionais da \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o, quando abordamos o assunto \u2018mercado\u2019, preferimos sempre falar em \u2018narrativas\u2019 em vez de \u2018tend\u00eancia\u2019. Narrativas contempor\u00e2neas, baseadas nos novos c\u00f3digos de posicionamento e reconstru\u00e7\u00e3o social, em movimentos culturais leg\u00edtimos, nas novas manifesta\u00e7\u00f5es humanas, seja nas artes pl\u00e1sticas, na m\u00fasica, na literatura, no cinema, na moda. Tamb\u00e9m precisamos levar em considera\u00e7\u00e3o as novas pesquisas de materiais, as tecnologias mais promissoras, o retrocesso da a\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria do homem na natureza. Por tudo isso, quase sempre as \u2018tend\u00eancias\u2019 t\u00eam tanto mais a ver com din\u00e2micas ef\u00eameras de h\u00e1bitos comportamentais que, na era da digitaliza\u00e7\u00e3o e da nova m\u00eddia (as influencers), ficam rasas muitas vezes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">*Her\u00f3doto, tamb\u00e9m conhecido como o pai da hist\u00f3ria, foi um grande historiador e ge\u00f3grafo dos tempos antigos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Biofilia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Muito falado ultimamente, principalmente entre profissionais da arquitetura e design de interiores, o assunto biofilia \u00e9 a bola da vez. Mas o que biofilia tem a ver com tend\u00eancia? Tudo! Em uma esclarecedora reflex\u00e3o sobre o atual cen\u00e1rio de pandemia que levou o mundo \u00e0 realidade do confinamento, antagonicamente, fez surgir uma necessidade por uma vida mais ligada \u00e0 natureza, e isso gerou uma mudan\u00e7a significativa no jeito de morar. \u201cNo confinamento, a falta de espa\u00e7o e a imobilidade urbana despertaram o desejo quase incontrol\u00e1vel pelo contato direto com os condicionantes naturais: ventila\u00e7\u00e3o cruzada, luz solar, vegeta\u00e7\u00e3o abundante, seres vivos\u201d, reflete Allex. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cAs bolhas come\u00e7aram a estourar\u201d \u2013 Allex Colontonio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Com o impacto dessa frase, o publisher traz \u00e0 tona a sufocante realidade das grandes cidades e seus aranha-c\u00e9us cinzas, que pasteurizam a paisagem e a polui\u00e7\u00e3o advinda dos milhares de carros que ferem e fazem arder at\u00e9 os narizes mais fortes. Nesse contexto, sua defesa se faz mais que necess\u00e1ria. Se faz urgente. \u201cPrecisamos entender que a natureza n\u00e3o \u00e9 uma entidade a ser domada e\/ou conquistada, e nem \u00e9 uma dimens\u00e3o remota e in\u00f3spita, repleta de bestas-feras mort\u00edferas, que visitamos s\u00f3 quando precisamos colher mat\u00e9rias-primas ou nutrientes. A natureza \u00e9 um complexo sistema universal-inaugural do qual fazemos parte indissoci\u00e1vel e do qual devemos usufruir sem destruir\u201d, pontua Collontonio. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Biofilia x Mundo virtual<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda sobre biofilia, Lili Tedde se junta \u00e0 Allex, mostrando que \u00e9, sim, uma tend\u00eancia e que fica ainda mais clara quando a virtualidade das coisas toma conta e propor\u00e7\u00f5es nunca antes imaginadas. \u201cQuanto mais virtuais nos tornamos, mais necessidades teremos de texturas e tactilidade, para nos trazer de volta \u00e0 realidade. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais as pessoas passaram a se interessar em fazer hortas ou p\u00e3es em suas casas. Trata-se do executar com as m\u00e3os, construir algo real, cuidar e ainda sentir um cheirinho de esperan\u00e7a. Precisamos pisar na terra, o chamado Grounding, para energizarmos. Estudos mostram que duas horas por semana que passamos em contato com a natureza j\u00e1 provoca cura significativa em nossos corpos\u201d, conta Lili.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um paralelo com a eletricidade que mudou completamente o modo de vida no s\u00e9culo 20, Beto cr\u00ea que com a evolu\u00e7\u00e3o\/revolu\u00e7\u00e3o digital nada \u00e9 perene. \u201cA revolu\u00e7\u00e3o digital d\u00e1 muito poder para as pessoas e, assim, tudo muda a todo tempo.\u201d Trazendo para o universo da arquitetura, ele acredita que essa \u2018n\u00e3o perenidade\u2019 ser\u00e1 percebida em altera\u00e7\u00f5es internas, dentro das casas. \u201cAs mudan\u00e7as v\u00e3o acontecer muito mais na parte de interiores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 parte estrutural.\u201d E questiona: \u201cQuando n\u00e3o tiver mais pandemia, o que vamos querer? Vai haver uma adequa\u00e7\u00e3o: talvez dois dias em casa e tr\u00eas no escrit\u00f3rio? Ent\u00e3o os escrit\u00f3rios precisar\u00e3o ser reformulados assim como a casa\u201d, reflete.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Para onde vamos?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jogando luz ao questionamento do professor Beto Guimar\u00e3es (\u201cQuando n\u00e3o tiver mais pandemia, o que vamos querer?\u201d), imp\u00f5e-se a reflex\u00e3o sobre o atual momento, tudo o que ele trouxe, o quanto ele mudou a vidas das pessoas e o que vai, de fato, ficar? Ele acredita que, dada a realidade, \u201cestamos sofrendo restri\u00e7\u00f5es de vontades\u201d, mas, em contrapartida, comemora o fato de poder almo\u00e7ar com as filhas todos os dias e pondera: \u201ca partir de agora, a diversidade de escolhas ficar\u00e1 mais clara e teremos mais op\u00e7\u00f5es, inclusive, devido ao acelarado avan\u00e7o da tecnologia que, para mim, \u00e9 uma tend\u00eancia \u2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">teremos a tecnologia como tend\u00eancia para a velocidade das coisas ao mesmo tempo em que, paralelamente, eu acredito que as pessoas ter\u00e3o cada vez mais necessidade de se sentirem acolhidas, abra\u00e7adas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O futuro e casa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na aus\u00eancia daquilo que se havia em abund\u00e2ncia, Lili tamb\u00e9m acredita numa busca, talvez inconsciente, por uma aproxima\u00e7\u00e3o com a natureza. \u201cTudo que j\u00e1 era pesquisado, como abra\u00e7ar \u00e1rvores ou caminhar no mato, hoje se tornou luxo de primeira necessidade. Trazer para nossas casas um pouco dessas caracter\u00edticas, seja no piso mais r\u00fastico com textura ou sensa\u00e7\u00e3o de terra, ajuda a acalmar e confortar. Sabemos que jamais voltaremos a ser como antes. Em alguns aspectos nos tornamos mais sens\u00edveis e cuidadosos. Descobrimos o qu\u00e3o fr\u00e1geis somos. As m\u00e1scaras continuar\u00e3o presentes, e, claro que surgir\u00e3o estudos sobre o tema. Bem como todo o cuidado com limpeza, distanciamento trar\u00e3o mais novidades do que j\u00e1 surgiram. \u00c9 um novo mundo que ainda teremos que desvendar\u201d, destaca a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o jornalista Allex Colontonio, \u201cser parte da natureza ficou mais evidente nos \u00faltimos meses e deve interferir no modo de pensar\/operar das pessoas nos pr\u00f3ximos anos. Vale relembrar o exemplo das constru\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas ancestrais capazes de regular o conforto t\u00e9rmico at\u00e9 mesmo nas condi\u00e7\u00f5es mais extremas de temperatura \u2013 algumas etnias da Amaz\u00f4nia buscam inspira\u00e7\u00e3o arquitetural para suas ocas na anatomia das capivaras. Neste contexto, h\u00e1 possibilidades de que \u2018escolas\u2019 como o modernismo brasileiro (que tanto preza pelas curvas e tra\u00e7os livres carregados de componentes art\u00edsticos) sejam revisitadas e atualizadas. A casa enquanto \u2018m\u00e1quina de morar\u2019 poder\u00e1 ser convertida numa m\u00e1quina de ser, estar, amar, conviver, compartilhar\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">*A biofilia \u00e9 o amor \u00e0 vida. Este termo foi popularizado por Edward Osborne Wilson, num livro com o mesmo nome publicado pela Harvard University Press 1984. Em seu livro, Wilson descreve a biofilia como uma tend\u00eancia natural a voltarmos nossa aten\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas vivas. Fonte: Wikip\u00e9dia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.connectarch.com.br\/\">Fa\u00e7a parte do Connectarch<\/a> e fique por dentro de conte\u00fados exclusivos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Connectarch, programa de relacionamento da Decortiles, conversou com diferentes autoridades no assunto dentro de seus segmentos. Allex Colontonio, Lili Tedde e Beto Guimar\u00e3es nos ajudam a compreender melhor o assunto.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":4478,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[619],"tags":[58,642,540,820,248,643,22],"class_list":["post-4477","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tendencias","tag-arquitetura","tag-connectarch","tag-decortiles","tag-dt2021","tag-inspiracao","tag-programa-de-relacionamento","tag-tendencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4477"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5657,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4477\/revisions\/5657"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.decortiles.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}